Para projetar, desenvolver e fornecer experiências de aprendizagem significativas e eficazes entre adultos, você precisa conhecer a Andragogia.

Além detalhar o que é Andragogia e quais seus objetivos, neste post abordo como empresas podem aplicar esses princípios às experiências de aprendizagem no ambiente corporativo.

O que é Andragogia?

Basicamente, Andragogia significa o entendimento da ciência e prática da aprendizagem de adultos. 

Isso contrasta com a Pedagogia, que é o entendimento da ciência e prática da aprendizagem das crianças.

Discutir o que é Andragogia é discutir quem é Malcolm Knowles

Knowles (1913-1997) é considerado o pai da Andragogia. O termo foi cunhado em 1833 pelo educador alemão Alexander Kapp para distinguir o estudo da aprendizagem de adultos da Pedagogia, que trata do ensino de crianças. 

Mas, qualquer que seja a origem do termo, Knowles é indiscutivelmente o garoto propaganda da andragogia.

Malcolm Knowles

Sugestões de livros de Andragogia

Entre os livros de Andragogia, um deles é considerado referência sobre o tema.

The Adult Learner

Em 1973, Knowles publicou o livro de Andragogia denominado The Adult Learner, um clássico no campo da Andragogia e um com poder permanente, uma vez que o livro é atualizado e relançado periodicamente. 

Nele, são descritas suposições ou princípios importantes sobre como e por que os adultos aprendem.

O que, é claro, levanta a questão: quem é um adulto? 

Knowles se apóia em uma definição psicológica: 

Psicologicamente, nos tornamos adultos quando chegamos a um autoconceito de sermos responsáveis ​​por nossas próprias vidas, de sermos autodirecionados. Muitos de nós provavelmente não têm autoconceito e auto direcionamento completos até deixarmos a escola ou a faculdade, conseguirmos um emprego em tempo integral, nos casarmos e começarmos uma família.

Andragogia – Liderança, Administração e Educação

Nenhum líder seja ele professor, treinador, religioso, militar, juiz ou mesmo um cidadão comum, pode prescindir da leitura dessa revisita ao conceito de liderança. 

Os modelos propostos por este livro, dos autores Maria Eloisa Karolczack e Marcio Karolczak, vão além dos horizontes acadêmicos do conhecimento bibliográfico. 

É uma nova visão do verdadeiro papel do líder para difundir ideias e impor ações que otimizem os resultados de uma organização ou de uma ideologia.

Aprendizagem de resultados

Leitura imprescindível para os profissionais de educação de adultos, alunos e profissionais que se dedicam ao desenvolvimento de recursos humanos.

O livro de Malcolm Knowles, Elwood Holton III e Richard Swanson está dividido em três partes. 

A primeira contém os capítulos clássicos que descrevem as raízes e os princípios da Andragogia, incluindo um novo capítulo, que apresenta o modelo de planejamento de programas criado por Knowles. 

A segunda parte é dedicada aos avanços recentes na aprendizagem de adultos. 

A última parte do livro traz uma seção atualizada de leituras relacionadas ao assunto que aprofundam a teoria e incluem o inventário de desenvolvimento de Recursos Humanos desenvolvido por Malcolm Knowles.

Aprendizagem Cultura e Tecnologia: Desenvolvimento Potencialidades Corporativas 

Este livro de Klaus Schünzen Junior apresenta uma proposta metodológica de formação e de avaliação de trabalhadores que usam o computador dentro de uma perspectiva em que a habilidade de uma organização não é medida pelo que ela sabe, mas pela maneira como ela aprende.

6 princípios da Andragogia para facilitar a aprendizagem

O modelo andragógico de Knowles baseia-se em seis princípios, que ele chamou de suposições, como mencionei anteriormente.

Podemos usar esses seis princípios para orientar nosso design, desenvolvimento e fornecimento de produtos e serviços de aprendizagem para adultos. 

Agora vamos examiná-los em ordem, com ênfase em como cada um se aplica às experiências de aprendizado. 

#1 – A necessidade de saber: os adultos precisam saber por que

Os adultos precisam saber por que precisam aprender alguma coisa antes de aprender.

Por quê? 

Essa suposição parece óbvia, mas com muita freqüência esse princípio é ignorado ou apenas parcialmente adotado. 

Você também precisa comunicar o porquê aos alunos e criar oportunidades para eles explorarem e tornarem o porquê o mais pessoal possível. Ao projetar e desenvolver uma experiência de aprendizado, você deseja perguntar:

  • Quais são os resultados que os alunos serão capazes de alcançar com base nessa experiência de aprendizagem?
  • Que mudança positiva você ajudará a criar?

Em seguida, comunique essas respostas aos alunos.

Ao oferecer uma experiência de aprendizado, vincule abertamente o conteúdo ou as habilidades que você está ensinando aos resultados e às mudanças positivas que os alunos buscam. 

Ainda mais importante, ajude os alunos a fazerem essas conexões por si mesmos. 

Eles são mais capazes do que você de tornar o porquê de qualquer experiência de aprendizado mais significativo e específico. Você só precisa incentivá-los e dar-lhes espaço cognitivo para fazê-lo.

Esse incentivo e espaço cognitivo podem assumir a forma de perguntas simples de reflexão. Por exemplo: 

“Quais são seus maiores desafios com preços?” 

ou

“Qual das táticas abordadas apenas o ajudaria mais na geração de ideias para novos produtos?” 

Você também pode compartilhar a experiência com exemplos do mundo real ou estudos de caso mais formais que mostram como um conceito se desenvolveu para um indivíduo ou organização.

#2 – Autoconceito: alunos-adultos esperam ser responsáveis

Em The Adult Learner, Knowles explica esse segundo princípio da Andragogia da seguinte maneira:

Os adultos têm um autoconceito de serem responsáveis ​​por suas próprias decisões, por suas próprias vidas. Eles se ressentem e resistem a situações nas quais sentem que os outros lhes impõem suas vontades. Isso apresenta um sério problema na educação de adultos: no momento em que os adultos entram em uma atividade chamada educação, treinamento ou qualquer coisa sinônima, eles voltam ao seu condicionamento em sua experiência anterior na escola, dobram seus braços, sentam e dizem: ensina-me. 

Knowles aponta para um enorme problema que enfrentamos na educação. Muitas vezes os alunos se tornam dependentes, esperam para serem alimentados com colher. 

Ou seja, não esperam que sejam solicitados a participar plenamente de experiências de aprendizado. 

Para reverter esse quadro, ofereça: 

  • Opções de como os alunos-adultos podem se envolver com seu conteúdo. Isso pode significar oferecer o mesmo conteúdo em diferentes formatos. Por exemplo: ter opções de áudio, vídeo e texto para cada ponto principal de uma experiência de aprendizado. 
  • Diferentes maneiras de interagir com o conteúdo. Por exemplo, oferecer um curso individualizado e um curso síncrono. 

Quanto mais seus alunos conseguirem conectar sua própria resposta a “Por que aprender isso?” à experiência de aprendizado, mais eles valorizarão a experiência. 

#3 – Experiência: o que os adultos já sabem afeta o modo como aprendem

Alunos de todas as idades levam suas experiências passadas para qualquer situação, e essas experiências determinam o que e como elas aprendem. 

Os adultos, simplesmente por serem mais velhos que crianças, trazem mais anos de experiência.

Mas não é apenas uma questão de quantidade de experiência aumentando com a idade. A variação também aumenta. Com os alunos-adultos, é muito mais difícil saber quais habilidades e conhecimentos serão mútuos, segundo Knowles: 

Qualquer grupo de adultos será mais heterogêneo em termos de histórico, estilo de aprendizagem, motivação, necessidades, interesses e objetivos do que um grupo de jovens.

Knowles oferece uma lista de técnicas e táticas que podemos usar para extrair a experiência que nossos alunos-adultos trazem. 

  • Tempo para reflexão
  • Perguntas para discussão
  • Atividades baseadas em casos e problemas
  • Simulações e prática podem suscitar o conhecimento prévio dos alunos

Em outro momento mencionei sobre o que vivemos no passado pode inspirar atitudes no presente para mudar o que não vai bem. Relembre o que é tempo psicológico

#4 – Prontidão para aprender: adultos ficam prontos para aprender quando precisam

Knowles resume esse princípio da Andragogia como: 

Os adultos se preparam para aprender o que precisam saber e são capazes de fazer para lidar efetivamente com as situações da vida real. 

Vou resumir ainda mais brevemente: relevância.

Os adultos tendem a estar mais interessados ​​em aprender o que tem relevância imediata para suas vidas. 

Os adultos preferem aprender coisas que eles realmente podem usar, de preferência o mais rápido possível. 

Portanto, é preciso fornecer exercícios e atividades que levem os alunos a vincular o que estão aprendendo com suas próprias vidas e trabalho. 

E, sempre que possível, devemos fornecer pontes que incentivem esse vínculo e aplicação, como listas de verificação, planilhas e outras ferramentas que os alunos podem usar no contexto de suas vidas e trabalhos.

#5 – Orientação: alunos-adultos são centrados na vida

Esse princípio se encaixa no princípio da prontidão para aprender que acabamos de discutir. Knowles afirma: 

Os adultos são motivados a aprender na medida em que percebem que o aprendizado os ajudará a executar tarefas ou a lidar com os problemas que enfrentam em sua vida.

E, portanto, os adultos aprendem a ser centrados na vida (ou na tarefa) ou no problema, em vez do centralizado no assunto ou no conteúdo.

Uma vez que temos responsabilidades adultas, a maioria de nós tem interesse limitado em saber coisas apenas para saber coisas – ou pelo menos temos tempo limitado para gastar aprendendo essas coisas.

Como resultado, a maioria dos adultos não deseja informações de uma experiência de aprendizado, pois eles já podem estar se afogando em muita informação. 

O que eles querem é significado. 

Essa é uma das razões pelas quais o método de estudo de caso é tão popular em escolas de negócios como a de Harvard.

Dê estudos de caso a alunos-adultos, atividades e tarefas que permitam aplicar seus novos conhecimentos no contexto de suas próprias vidas. Abordagens como essas ajudam os alunos a ir além do conteúdo e a aplicar a aprendizagem à vida.

#6 – Motivação: Motivadores internos são mais eficazes

De acordo com o pai da Andragogia, os adultos respondem a alguns motivadores externos (melhores empregos, promoções, salários mais altos e outros).

Mas os motivadores mais potentes são as pressões internas (o desejo de maior satisfação no trabalho, auto-estima, qualidade de vida e similares).

Pode-se alavancar a motivação em três pontos principais:

  1. Quando é tomada a decisão de se envolver em uma experiência de aprendizado: por exemplo, a decisão de comprar um curso, registrar-se em uma conferência ou dedicar tempo ao estudo. A motivação afeta se os indivíduos decidem aprender, o que decidem aprender e qual opção eles escolhem entre uma variedade de possibilidades.
  2. Durante a própria experiência de aprendizado: a motivação determina quanta atenção os alunos dão à experiência, o quanto investem na compreensão do que está sendo ensinado e no envolvimento sincero nas atividades.
  3. Aplicando o aprendizado: a motivação afeta o quão bem o que foi aprendido será aplicado no trabalho, no mundo real – ou se esse aprendizado será aplicado.

Quanto mais escolhas e decisões em cada um desses três pontos – a decisão de participar do aprendizado, a participação em uma experiência de aprendizado e a aplicação do aprendizado – mais podemos criar condições que promovam a motivação intrínseca. 

E quando os alunos são mais motivados internamente, mais eficaz é o aprendizado e, portanto, maior o impacto.

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Andragogia: da teoria à prática

Com seu novo (ou renovado) entendimento sobre Andragogia, minha esperança é a mesma: aplicação e – como resultado da aplicação – impacto.

Por mais útil que seja o entendimento da Andragogia, o benefício real da Andragogia só será aparente quando você se aprofundar em como os seis princípios orientadores podem informar e mudar a maneira como você projeta, desenvolve e entrega experiências de aprendizado.

E, mesmo se você aplicar todos os seis princípios a uma experiência de aprendizado, isso não garante que você tenha um produto de grande sucesso ou obtenha resultados imediatos.

Mas, por meio da Andragogia, você certamente melhorar o impacto de suas experiências de aprendizado sobre alunos, profissão, empresa e sociedade em geral. 

Quer saber mais sobre como a Andragogia pode ajudar você e sua empresa

Me chame agora para conversar mais a respeito. Vai ser uma prazer ajudá-lo nessa jornada de aprendizagem.