No clássico filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, fica evidente a crítica, apesar do tom de sátira, ao Fordismo e ao seu antecessor, o Taylorismo. No filme o operário é programado para realizar suas atividades e sente a força da hierarquia.

Dá pra dizer que essa crítica resume o que é Fordismo?

Dá pra dizer que o diretor do filme demonstra com proeza como o Fordismo mudou a realidade do chão de fábricas em todo mundo e afetou a vida de milhões de trabalhadores, dentro e fora da indústria.

O clássico faz uma sátira e crítica ao sistema de produção Fordista, evidenciando quatro pontos principais:

  1. O trabalhador se via obrigado a se adequar ao trabalho.
  2. O trabalho era repetitivo, desgastante e de baixa qualificação.
  3. Cada um era responsável exclusivamente por uma etapa da produção.
  4. Apesar de participar do processo de produção, o trabalhador era desvinculado do produto final.

O sistema de produção revela o desprezo pelo trabalhador enquanto ser pensante.

Além disso, Chaplin evidencia o controle burguês sobre o operário, a super-especialização de tarefas, o que culminava que resultava na ignorância total do trabalhador em relação ao que ele mesmo produzia e o produto final daquilo.

Funcionário insatisfeito

Como funciona o Fordismo?

O Fordismo é um sistema de produção criado pelo empresário norte-americano, Henry Ford, fundador da Ford Motor Company. Ele se tornou o primeiro empreendedor a produzir em série.

Portanto, o que é Fordismo pode ser resumido no conceito da fabricação em massa.

Henry Ford, criador do Fordismo

“Nada é difícil se for dividido em pequenas partes.”
Henry Ford

Além dos automóveis, o modelo de produção Fordista também foi empregado pela construção naval, equipamentos de transporte, indústria do aço, borracha, produtos petroquímicos, eletrodomésticos e construção.

Quando e onde surgiu o Fordismo?

Criado em 1914, o Fordismo revolucionou o mercado automobilístico e industrial da época, começando pela Ford Motor Company, em Detroit, Estados Unidos, berço de Henry Ford.

O Taylorismo, modelo que antecedeu o Fordismo, foi absorvido nas fábricas de automóveis de Henry Ford no começo do século 20 e depois sofreu adaptações que o identificaram como um novo modelo de divisão do trabalho, denominado Fordismo.

Até o surgimento do sistema Fordista, os veículos eram fabricados artesanalmente. Além de levar muito tempo para ficarem prontos, o processo produtivo era extremamente caro, como é o caso da inglesa Rolls Royce.

Por outro lado, mesmo sendo mais fáceis de produzir e custarem menos, os automóveis característicos da era Fordista não tinham a mesma qualidade aos feitos artesanalmente.

VOCÊ SABIA
O primeiro modelo colocado à venda pela Rolls Royce foi o Silver Ghost (fantasma prateado), apelidado assim por sua cor prateada e ausência de ruídos. O modelo foi responsável pela enorme reputação que a marca viria a conquistar nos próximos anos e custava cerca de 10 vezes mais que o modelo da concorrente, o Ford T.

Rolls Royce

O veículo inglês possuía a mais avançada tecnologia da época. Dotado de um motor de 6 cilindros em linha com 12 válvulas (2 por cilindro) e 7036cc, o modelo desenvolvia 48cv, impelindo o veículo à fantástica marca de 101km/h. Exatas 6.173 unidades foram montadas artesanalmente e vendidas.

Entre os proprietários estavam industriais, a realeza e uma nova geração de milionários como as estrelas de cinema. Desde então a marca se transformou em sinônimo de carros luxuosos, refinados e distintos.

O Ford T parou de ser produzido em 1927 e foi o carro mais vendido da história do mundo antes do Fusca. Em determinado momento metade dos carros do mundo era Ford T. O veículo chegou a custar 290 dólares, o que na época era bastante barato.

Ford T

Mudanças evidentes do Taylorismo para o Fordismo

Esteira da fábrica

Revolucionou a indústria, a peça vai até o trabalhador, que tem o local determinado no processo

Alienação do processo produtivo

O trabalhador pode até saber qual é o produto final, mas ele não tem ideia como fazer todas as etapas de criação.

É muito mais que um sistema de produção. O Fordismo lança o que passa a se chamar de sistema de consumo.

Isso porque ao aumentar o salário dos trabalhadores e reduzir o custo de produção o sistema Fordista muda a dinâmica do relacionamento entre trabalhador e consumidor, que ganha o fim de semana para curtir a família e, com isso, consumir mais. Além disso, Henry Ford permite o parcelamento da compra do veículo.

O mecanismo de produção foi iniciado simbolicamente quando Ford introduziu a proposta do “dia de oito horas e cinco dólares” como recompensa aos trabalhadores da linha de automática de montagem de carros.

A ideia de “oito horas e cinco dólares” foi a forma que Ford encontrou de conseguir disciplina e eficiência necessárias para as linhas de montagens.

Para ele, era preciso dar ao trabalhador renda e tempo de lazer suficientes para que consumissem produtos em massa que as corporações estavam por fabricar em quantidades cada vez maiores.

Principais características do Fordismo

A implantação do Fordismo marcou a transição da manufatura para a linha de montagem.

Além disso, implantou as seguintes mudanças:

  • Redução dos custos de produção ao máximo
  • Aperfeiçoamento da linha de montagem
  • Não exige qualificação dos operários
  • Divisão das funções de trabalho
  • Padronização da produção
  • Repetitividade do trabalho
  • Consumo em massa
  • Trabalho contínuo
  • Uso de máquinas operadas pelo homem

O sistema Fordista foi de extrema vantagem para os empresários, porém considerado negativo para os funcionários das indústrias.

Mas, em contrapartida, o Fordismo trouxe vantagens como grandes avanços para a tecnologia, deu ênfase na economia e possibilitou a alta produtividade.

Crise do Fordismo e a chegada do pós-Fordismo

O período que se segue ao segundo pós-guerra é considerado o auge do Fordismo na história do capitalismo.

Em função da falta de personalização dos produtos e rigidez do sistema, a crise atingiu o Fordismo, no início da década de 70, sendo substituído por um modelo mais “enxuto”, também conhecido por Toyotismo.

O Toyotismo surgiu no Japão, em 1980. O sistema Toyotista propôs um novo formato de produção mais eficiente. Entenda melhor as principais características de cada sistema produtivo.

Fordismo e Toyotismo: as principais diferenças

Basicamente, o Fordismo manteve o mecanismo de produção e organização, porém adicionou a esteira rolante, ditando um novo ritmo de trabalho.

A economia de matérias-primas, aliada à produtividade de trabalhadores especializados organizados em uma linha de montagem em escala industrial definem com exatidão o que é Fordismo.

O modelo Toyotista, por sua vez, se concentrou no aspecto da cultura organizacional e sua importância para a competitividade de uma empresa.

Diferenças entre Fordismo e Toyotismo

É evidente a contribuição de cada sistema de produção e consumo no avanço de processos e metodologias empresariais.

Entender o que é Fordismo e como cada movimento pode impactar em seu negócio é o primeiro passo para melhorar sua produtividade.

Já pensou nisso?

Eu já.

Então se você também busca esse objetivo, me procure no WhatsApp. Temos muito o que conversar.